Esfera passa a pontuar na compra de passagem — e quase todo mundo vai perder os pontos
A Esfera incluiu Azul, GOL e LATAM na modalidade de acúmulo por compra. A oportunidade é real, mas depende de um detalhe operacional que não aparece no anúncio — e que invalida a pontuação de quem compra do jeito mais natural possível.
Toda vez que um programa anuncia uma parceria nova, a pergunta que importa não é "quanto rende". É "o que preciso fazer diferente para que renda". No caso da Esfera com Azul, GOL e LATAM, a resposta a essa segunda pergunta é o que separa quem vai pontuar de quem vai comprar exatamente como sempre comprou e não vai receber nada.
A Esfera incluiu Azul, GOL e LATAM na modalidade "Compre e Pontue", que permite acumular pontos do programa na própria compra da passagem, além da pontuação que a companhia já dá. Na prática, é uma camada a mais sobre uma compra que você faria de qualquer forma.
As taxas não são iguais entre as três: a Azul rende 1 ponto a cada R$ 4, enquanto GOL e LATAM rendem 1 ponto a cada R$ 2. A diferença é relevante quando o bilhete é caro. Numa passagem internacional de R$ 6 mil, são 3 mil pontos na GOL contra 1,5 mil na Azul — pela mesma compra, no mesmo dia.
O detalhe operacional que anula tudo
Aqui está o ponto que a maioria vai ignorar. A compra precisa começar dentro da Esfera, em esfera.com.vc, na seção de Viagens: você entra logado, localiza a companhia e clica no botão que leva ao site dela. É esse clique que registra a compra. Comprar direto no site da companhia não vale, e comprar pelo aplicativo da companhia também não vale.
Pense em como você realmente compra passagem: abre o app da GOL no celular, escolhe o voo, paga. É o caminho mais rápido, é o que todo mundo faz — e é exatamente o caminho que não pontua. A economia de três cliques custa alguns milhares de pontos.
Existe ainda a exigência de que o CPF usado na compra seja o mesmo cadastrado na Esfera, e qualquer cancelamento ou troca de item derruba os pontos correspondentes. Para quem emite passagem no CPF de outra pessoa, isso muda o cálculo inteiro.
Programa de pontos raramente é vencido pela matemática. É vencido pela disciplina de seguir um caminho que parece burocrático no momento da compra e só faz sentido sessenta dias depois.
Você pontua depois de voar, não depois de pagar
O crédito dos pontos acontece em até 60 dias após a utilização da reserva. Não após a compra — após o voo. Quem compra em outubro uma viagem de janeiro só verá esses pontos em algum momento de março.
Isso tem consequência prática direta: não conte com essa pontuação para fechar um resgate no curto prazo. Ela não serve como saldo para uma emissão que você planeja nos próximos meses. Serve como acúmulo de fundo, que aparece muito depois de você já ter esquecido da compra.
Quando vale e quando é irrelevante
Vale quando o bilhete é caro e pago em dinheiro. Numa passagem internacional de alto valor na GOL ou na LATAM, a camada Esfera se soma aos pontos do cartão e à pontuação do programa da companhia — três acúmulos sobre a mesma compra, sem custo adicional nenhum.
Não vale, e isso precisa estar claro, para emissões feitas com milhas ou pontos — essas reservas não são elegíveis. Quem trabalha com resgate, como nós, precisa entender essa separação: a camada Esfera só existe no trecho da operação que é pago em moeda.
E é irrelevante em passagem doméstica barata. Numa emissão de R$ 400, são 200 pontos na GOL. Não é motivo para mudar seu jeito de comprar, nem para escolher uma companhia em vez de outra.

Vanderson Faedda
GESTOR DE MILHAS
Aprendeu milhas viajando, não estudando. Há vinte anos trata carteira de pontos como portfólio: milha não é desconto, é moeda — e como toda moeda, pode ser guardada com método ou desperdiçada por descuido. Emitiu milhões de milhas.
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